Acordou cedo e está indo para o trabalho de carro? Não se estresse no trânsito. Ele sempre vai estar ali para te testar e você faz parte dele. Ao invés de pensar nos barbeiros, sinais fechados e outros personagens malditos, pense na sua sorte de ter um carro. Você está num ambiente privado e seguro do sol, chuva, poeira e calor, no seu ar-condicionado geladinho. Você tem um emprego, um trabalho, coisa que muita gente quer, precisa – mas não tem. Você não está em pé dentro de um ônibus barulhento e fedorento sem cinto de segurança, nem em uma parada de ônibus suando ou pegando chuva. Pense Positivo (focar as coisas boas ao invés das ruins) – pois nesse mundo tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Mas algumas coisas tem um lado maior que outro – e no caso de ter um carro, com certeza é mais vantagem, na ponta do lápis e no final de cada dia… Ou não?

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“se esses idiotas tomassem um ônibus eu já estaria em casa agora”

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Texto retirado do Blog TeatroNu (com adaptações)

Gentileza gera gentileza. E esse é um dos fundamentos do trânsito que são mais desrespeitados. O Sr. volante dificilmente desacelera o carro pra alguém sair da garagem ou pra que alguém passe em sua frente por necessidade de entrar numa rua ou retorno. Parece que fere a masculinidade (tanto do homem quanto da mulher, no sentido figurado do termo) de quem dirige. Ser ultrapassado, dar passagem é humilhante. Você pode não estar com pressa, pode até andar a 60km/h, mas ao ver a possibilidade de ser ultrapassado, a chance de dar passagem, a situação de alguém saindo da garagem, acelera-se a 80km/h sem piedade.

O descompromisso com o outro também é evidenciado ao não se ligar o pisca alerta para se mudar de pista, entrar nalguma rua ou estacionar. Esse aviso serve a quem vem atrás, ao pedestre que aguarda algum sinal pra saber se pode atravessar, e é comumente ignorado porque o Sr. Volante é esperto, ágil e o outro que se dane; “faço minha manobra a hora que eu quiser e quem bate no fundo perde a razão e quem morre atropelado é o outro”.

Não existe coisa mais irritante, também, do que ver o motorista que, numa pista de 70km/h, anda a 50km/h na pista da esquerda; que é a de velocidade. As pessoas além de descumprirem uma regra, ainda se colocam na postura de “olha como esse irresponsável quer correr, enquanto eu estou correto em dirigir lentamente”. Ora, a pista da esquerda é para ultrapassagem e para a mais alta velocidade permitida pela placa do local. E para completar, diversos são os motoristas que só resolvem passar pra pista correta – a que ele vai precisar estar para entrar numa rua, pra fazer um desvio, pra estacionar – na última hora. Com isso, o trânsito é amarrado. São seguidos os engarrafamentos aparentemente inexplicáveis oriundos de maus e/ou irresponsáveis condutores.

Abrir a janela do carro pra jogar papel fora nem se fala. Parece que o sujeito se sente em seu mundo, dentro do veículo, e o exterior é um limbo abjeto e que não lhe pertence. Se começarmos a somar a isso tudo o excesso de buzinadas inúteis, o não parar na faixa de pedestre, os gestos obscenos dos machões que fazem irresponsabilidades no trânsito e se sentem mais machões ainda quando ofendem além de ser irresponsáveis, a lista começa a aumentar. O desrespeito aos semáforos, às faixas de pedestre e a esperteza daqueles que decoram onde ficam os radares pra poder andar noutros trechos acima da velocidade permitida são coisas tão graves e óbvias que nem preciso discorrer sobre elas. E aí pensamos no ouvir som alto em locais públicos, estacionar em qualquer canto obstruindo calçadas e desrespeitando placas, e soma-se a isso tudo a irresponsabilidade do pedestre.

As pessoas atravessam em qualquer lugar, correm risco de morte, mas estampam o sorriso esculhambado e faceiro que tanto encanta turistas e folcloristas irresponsáveis, sorriso que devia continuar estampado no rosto mesmo depois de um atropelo. Mas, a partir do momento de um “tá lá um corpo estendido no chão”, o motorista passa a ser o criminoso e o pedestre a vítima. Começam fábulas sobre as irregularidades de velocidade, etc, sobre o motorista; nos casos onde este sequer tem culpa. As culpas dos condutores são discorridas acima.

Outro problema sério decorrente disso é que a cidade se enche de semáforos, que tornam o trânsito lento, devido aos protestos de seguidos atropelos em locais com passarelas. O Sr. Andante quer ser esperto, tem preguiça de atravessar uma passarela numa pista de alta velocidade, e ainda protesta se ocorre atropelo. Aí, queimam pneu, põem faixa, gritam, e vencem numa subversão da lógica que é simples; seguir a ordem pra não sofrer com a infração. Mas a irregularidade brasileira vence.