A inflação de preços é a perda do poder de compra do dinheiro.
Dito isso, é necessário saber por que isso acontece.

  • Todos os anos, o próprio Governo (aquele que supostamente deveria ajudar a manter a inflação em baixa) reajusta suas taxas de serviços de trânsito, importação, exportação; e impostos de renda, venda, serviços, funcionamento, trabalhistas etc.;
  • Todos os anos, as creches, os colégios, as faculdades e outras instituições aumentam suas mensalidades;
  • Todos os anos, os planos de saúde, TV à cabo, Internet, telefone e as taxas de juros aumentam também;
  • Tudo isso aumenta numa proporção de 10% a 20% que é bem mais que a informação oficial do Governo de 6% anual;
  • O preço de todos os produtos e serviços sobem. São raras as coisas que não têm seu preço reajustado logo no primeiro mês do ano;

Por incrível que pareça, os produtos mais baratos são os de maior aumento: Uma geladeira que custava R$ 1.000,00 ano passado e aumentou para 1.050,00 esse ano, teve reajuste de 5% – mas uma coca-cola que custava R$ 2,00 ano passado, aumentou para R$ 2,50 em doze meses – um incrível aumento de 25% que é, às vezes, considerado inocente pelos leigos, por se tratar de centavos.

Adam Smith, um filósofo e economista britânico do século XVIII, disse que isso tem mais haver com a lei da oferta e da procura, cujo conceito segue:

Nos períodos em que a oferta de um determinado produto excede muito à procura, seu preço tende a cair. Já em períodos nos quais a demanda passa a superar a oferta, a tendência é o aumento do preço.
A estabilização da relação entre a oferta e a procura leva, em primeira análise, a uma estabilização do preço. Uma possível concorrência, por exemplo, pode desequilibrar essas relações, provocando alterações de preço.
Ao contrário do que pode parecer a princípio, o comportamento da sociedade não é influenciado apenas pelos preços. O preço de um produto pode ser um estímulo positivo ou negativo para que os consumidores adquiram os serviços que necessitam, mas não é o único.
Existem outros elementos a serem considerados nesta equação, entre eles:

  • Os desejos e necessidades das pessoas;
  • O poder de compra;
  • A disponibilidade dos serviços – concorrência;
  • Existência de produtos complementares ou substitutos;
  • A capacidade das empresas de produzirem determinadas mercadorias com o nível tecnológico desejado.

Da mesma forma que a oferta exerce uma influência sobre a procura dos consumidores, a freqüência com que as pessoas buscam determinados produtos também pode aumentar e diminuir os preços dos bens e serviços.

Adam Smith ela liberalista, e isso quer dizer que ele não gostava da ideia de que o governo deveria se envolver na economia de um país, que a sociedade e o mercado tendem a se auto-regular e procurar o equilíbrio. Este é o mesmo pensamento de partidos como o Democratas e PSDB. Também é o mesmo pensamento dos “coxinhas” reacionários que faltaram às aulas de história, mas querem o retorno da ditadura no Brasil, achando que governo assistencialista é coisa “babá de vagabundo”.

Falando sério, quem acredita que a sociedade e/ou o mercado são justos? Quem acredita que não vivemos numa selva de pedra que, como qualquer outra selva (assim como diz a teoria da evolução) permite apenas a sobrevivência do mais forte? Vivemos num mundo injusto sim e não podemos esperar que as oportunidades serão iguais para todo mundo como diz a propaganda liberalista, até porque muita gente já nasce com desvantagens competitivas.

Mas por que a sociedade é injusta então? Existe alternativa?

Adam Smith não estava totalmente errado. Mas também não estava totalmente certo. Ele estava maquiando um defeito de seu sistema favorito, o Sistema Capitalista:

O capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção, distribuição, decisões sobre oferta, demanda, preço e investimentos são em grande parte ou totalmente de propriedade privada e com fins lucrativos e não são feitos pelo governo. Os lucros são distribuídos para os proprietários que investem em empresas. Predomina o trabalho assalariado. É dominante no mundo ocidental desde o final do feudalismo.1 O termo capitalismo foi criado e utilizado por socialistas e anarquistas (Karl Marx, Proudhon, Sombart) no final do século XIX e no início do século XX, para identificar o sistema político-econômico existente na sociedade ocidental quando se referiam a ele em suas críticas, porém, o nome dado pelos idealizadores do sistema político-econômico ocidental, os britânicos John Locke e Adam Smith, dentre outros, já desde o início do século XIX, é liberalismo.

Não quero aqui dizer que o Socialismo é um sistema político melhor que o Capitalismo, até porque conhecemos o Socialismo apenas na teoria. Na prática nunca houve socialismo. O que há em Cuba e o que houve na União Soviética durante a Guerra Fria era, na minha opinião, nada mais que Ditadura. Para mim o Socialismo só será autêntico quando partir de uma decisão popular e for implantado de forma Democrática, e seguir de forma Democrática. Caso contrário ele será apenas uma forma mais moderna de Feudalismo, assim como o Capitalismo já o é.

O feudalismo foi um modo de organização social e político baseado nas relações servo-contratuais (servis). Tem suas origens na decadência do Império Romano. Predominou na Europa durante a Idade Média.
Segundo o teórico escocês do Iluminismo, Lord Kames, o feudalismo é geralmente precedido pelo nomadismo e sucedido pelo capitalismo em certas regiões da Europa .
Os senhores feudais conseguiam as terras porque o rei lhes dava. Os camponeses cuidavam da agropecuária dos feudos e, em troca, recebiam o direito a uma gleba de terra para morar, além da proteção contra ataques bárbaros. Quando os servos iam para o manso senhorial, atravessando a ponte, tinham que pagar um pedágio, exceto quando para lá se dirigiam a fim de cuidar das terras do Senhor Feudal.

O texto acima lembra em algum momento algo parecido ao que vivemos hoje? Mudaram apenas o nome, aumentaram o número de senhores feudais e colocaram dinheiro no meio disso tudo ao invés de troca de produtos. Os senhores feudais mais conhecidos hoje no mundo são, por ordem de poder econômico:

  1. Shell – Inglaterra – US$ 481 bilhões
  2. Walmart – EUA
  3. Exxon Mobil – EUA
  4. Sinopec – China
  5. China National Petroleum – China
  6. Britsh Petroleum – Inglaterra
  7. State Grid – China
  8. Toyota – Japão
  9. Volkswagen – Alemanha
  10. Total – França – US$ 234 bilhões

O primeiro lugar, a Shell, tem uma receita anual de 481 bilhões de dólares, a o último lugar, a Total, tem uma receita de US$ 234 bilhões anuais. Reparou que 6 entre dez empresas estão no ramo do petróleo? Na época do Feudalismo era mais rico e poderoso quem tinha terras. Hoje esse privilégio é de quem tem óleo. Não é mais necessário ter título de nobreza, mas ainda é muito difícil para quem não nasce em berço de ouro. E falando nisso, vamos exemplificar mostrando, não as empresas, mas as pessoas mais ricas do mundo:

  1. Bill Gates – US$ 83,8 bilhões
  2. Amancio Ortega
  3. Warren Buffet
  4. Carlos Slim
  5. Charles Koch
  6. David Koch
  7. Larry Ellison
  8. Ingvar Kamprad
  9. Wang Jianlin
  10. Jeff Bezos – US$ 39,3 bilhões

Provavelmente você conhece somente o Bill Gates, o fundador da Microsoft (Windows) nessa lista, não é? O restante dessas pessoas está espalhada pelo mundo, mas maioria é norte americana e está envolvida com telecomunicações, informática, vendas de móveis, imóveis, produtos químicos e roupas. Pelo menos a metade dessas pessoas vieram de família de classe média. Ninguém era filho de vendedor de carros usados. Mas e no Brasil, quem são os mais ricos?

  1. Jorge Paulo Lemann – US$ 25 bilhões – Lojas, Americanas, Antártica, Burguer King, Hellmans, Heinz, Pepsi, Brahma, Skol…
  2. José Safra – Banqueiro
  3. Herrmann Telles – Sócio do 1º
  4. Carlos Alberto Sicupira – Sócio do 1º
  5. Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho – Organizações Globo
  6. Eduardo Saverin – Acionista e um dos criadores do Facebook
  7. Abílio Diniz – Supermercados Carrefour e outros investimentos
  8. Francisco Dias Branco – Alimentos Fortaleza
  9. Walter Faria – Cerveja Itaipava
  10. Aloysio de Andrade Faria – US$$ 3 bilhões – Banco Alfa, Banco Real, Hotéis…

Aqui no Brasil enriquece mais quem é dono decervejarias, banco, lojas de departamentos, supermercados, redes de televisão, revistas e, igrejas evangélicas, como nosso “querido” pastor Edir Macedo com seus 3,5 bilhões de Reais. Eu jurava que ele tinha disso que essa grana toda iria para a “Obra de Deus”… Mas é mais importante saber que todos os 10 desta lista nasceram sim, em berço de ouro. Para você ter uma ideia de como as realidades da “livre concorrência” são diferentes em cada local do mundo. Pelo visto deu muito certo para os Estados Unidos – os mais ricos estão lá. Isso porque, de acordo com os neoliberais, a culpa é do governo que imprime mais moeda do que deveria, como o discurso abaixo, retirando de um outro blog:

São muitos os fatores que elevam o preço de um produto ou serviço causando a tão indesejada inflação. Mas não há dúvida alguma que o governo é o principal responsável. Responsável por imprimir dinheiro sem lastro. Mais dinheiro disponível sem oferta correspondente de produtos e serviços os preços sobem por haver muita procura e pouca oferta. A lógica é muito simples: se tenho menos produtos a vender que compradores interessados eu elevo o preço e lucro mais. Simples assim.

Ele só esqueceu de dizer que, os Estados Unidos, menina dos olhos de ouro do Capitalismo, maior defensora do Liberalismo, lar dos mais ricos do mundo e do American Way of Life, é o país que mais imprime dinheiro sem lastro. Eles mantém o valor da moeda deles com o peso de seus exércitos e suas bombas nucleares.

Então o que é a inflação, afinal de contas?

Inflação é um instrumento, uma ferramenta do sistema capitalista. Ele existe para manter as pessoas mais pobres no mesmo nível controlável, como mão de obra barata e massa de manipulação política. O objetivo é que as pessoas permaneçam sempre dependentes do sistema, servindo desta forma aos interessem dos mais ricos, os dominadores do sistema, senhores do capitalismo, donos dos feudos (que são os mercados). No capitalismo a pessoa não é vista como um indivíduo, mas sim como um produto deste sistema, parte de uma massa de mão de obra.

Quando o poder aquisitivo das classes mais baixas aumenta, ou seja, quando mais dinheiro sai do bolso dos mais ricos para entrar no bolso dos mais pobres, o sistema reajusta os preços, aumentando o custo de vida na mesma proporção (e às vezes até mais), fazendo com que os produtos e serviços básicos necessários para a sobrevivência destas pessoas, na atual sociedade, fiquem mais caro. Assim, todo esse dinheiro extra volta para as mãos do senhor feudal, ops, digo, dos capitalistas – os donos dos meios de produção, que antes eram as terras e hoje são as empresas.

Na prática, todo o dinheiro que o empregado ganha no mês, é como se fosse apenas um empréstimo, feito pelo seu patrão, que faz parte de uma classe dominante. Antes do fim do mês, esse dinheiro já saiu todo da mão do empregado e já voltou para as pessoas membros desta classe dominante. O dinheiro na conta deste milionários não é emprestado – é deles mesmo. Pois aquilo que está lá, não volta pra ninguém, apenas uma pequena parte que está qualificada como capital de giro, é que é acessível à população mundial. Ou você acha que os quase 84 bilhões de dólares do Bill Gates entram e saem a todo momento da conta dele, assim como nosso salário?

A realidade é que, além da inflação, o próprio dinheiro em si é uma ferramenta do sistema para escravizar seus membros menos abastados, e dar poder aos membros dominantes. Quem acha que pode, a qualquer momento dizer “eu não quero mais fazer parte deste sistema” e assim viver de outra forma que não a imposta pelo Capitalismo? Quem aqui acha que é livre? O que é essa tal liberdade? É ir viver no meio do mato? Não meus caros, isso que você vive é nada menos que uma escravidão moderna. Você gasta 8 horas do seu dia trabalhando, mais 2 horas de intervalo, mais 2 horas para se arrumar, ir e voltar do trabalho (na melhor das hipóteses). Por que você acha que gasta todo esse tempo da sua vida ganhando dinheiro para os outros, mais do que para você? Seu chefe ganharia a mesma coisa se reduzisse seu salário e sua jornada pela metade e contratasse mais uma pessoa nos mesmos termos. Mas ele não pode quebrar o sistema. Fazer isso seria dar para você uma arma que o Capitalismo não quer que você tenha: Tempo Livre. Pois com esse tempo você poderia estudar, se esclarecer e assim perceber que tem algo errado nisso tudo.

Quem prestou atenção às aulas de história deve se lembrar da vida dos bóias-frias que eram trazidos do nordeste para o norte e aqui trabalhavam para pagar dívidas que fizeram justamente para ter condições de trabalhar – e como o credor era o próprio patrão, o salário nunca chegava. Isso é, análogo aos sequestros de garotas que são levadas para o exterior e são obrigadas a se prostituir para dar dinheiro ao seu captor.

Se há algum tipo de pagamento, ele assume alguma das seguintes formas: não ultrapassa o nível de subsistência ou fica pouco acima deste; é remunerado com bens, que geralmente não são desejados e/ou que não podem ser trocados ou que são difíceis de serem trocados por outra coisa; ou o pagamento consiste, total ou em sua maior parte, na quitação de um débito ou obrigação criado sob coação, ou que pertence a uma outra pessoa. O trabalho em condições semelhantes às de escravidão é instituído mais facilmente junto a trabalhadores migrantes (bóias-frias no Brasil), os quais viajam (ou são levados) para locais distantes da terra natal, muitas vezes de difícil acesso. O distanciamento evidencia as características físicas, étnicas ou culturais que os diferenciam da população em geral da região, e quase sempre dificulta ou torna pouco provável que consigam despertar o interesse das autoridades locais para as condições degradantes de trabalho em que vivem. De acordo com a teoria do valor-trabalho (conforme usada pelos economistas clássicos), sob o capitalismo, os trabalhadores nunca conservam toda a riqueza que produzem, visto que parte dela constitui o lucro dos capitalistas. Por outro lado, de acordo com a teoria subjetiva do valor (conforme usada pelos economistas neoclássicos), os salários oferecidos representam necessariamente a riqueza marginal gerada pelo trabalho, e qualquer lucro (ou perda) é fruto de outros insumos fornecidos, tais como arbitragem, valor temporário do dinheiro, ou risco. Alguns defensores de certas teorias da justiça distributiva alegam que qualquer ocasião na qual um trabalhador é capaz de recusar um emprego e procurar ocupação em outra parte é “trabalho voluntário”.

Quem tem condições hoje de deixar de ser empregado e ser patrão de um grande empreendimento, poder trocar de carro todo ano, ter uma casa em cada estado, em cada país – qual o banco financia esse projeto de vida?

Acontece que essas cadeiras são poucas no mundo, e já foram todas tomadas, e seus usuários não levantarão para você se sentar. O que quero dizer, ainda no âmbito da liberdade, é que nem o que você compra foi uma escolha sua – isso explica por que eu uma capsula de Nespresso não pode entrar na minha máquina da Nescafé?

O que ridiculamente nos vendem como se fosse um exercício existencial de livre arbítrio, dentro do qual temos a radiante autonomia para decidir se vamos lavar nosso cabelo com um produto da L’Oreal ou com um da Pantene, se vamos começar nosso dia com bolachas da Nestlé ou com sucrilhos da Kellogg’s, ou inclusive para escolher se vamos celebrar nossa decadência gastronômica com uma pizza ao final do dia, na verdade é que esta virtual liberdade está delimitada à colossal gama de produtos que são derramadas no mercado por apenas dez grandes companhias:

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Conseguiu identificar as dez empresas ou eu vou ter que listar também? O detalhe é que aqui só estão as marcas internacionais. Exemplo: Aqui no Brasil a Coca-Cola tem MinuteMaid+, Kapo, Guaraná Jesus e sabe-se lá mais o que…

  1. Coca-Cola (listagem em ordem aleatória)
  2. PepsiCo
  3. Kraft
  4. Nestlê
  5. P&G
  6. Johnson&Johnson
  7. Unilever
  8. Mars
  9. Kellog’s
  10. General Mills
Um infográfico parecido com o anterior, só que mais detalhado.

Um infográfico parecido com o anterior, só que mais detalhado.

A maioria das pessoas acha que escola é lugar de aprender português, matemática, história e ciências. Mas nessas ciências não está incluso direito e nem economia. Por quê? Para que a maioria das pessoas continue sem saber como o sistema funciona, como o dinheiro funciona. Já é muito difícil para quem tem instrução entender essas questões, imagine para quem não tem!

O dinheiro é, mais que uma ferramenta, uma arma do sistema. Pois o $ é responsável pela vida e pela morte, pela alegria e pela tristeza, de todas as pessoas no mundo, que vivem sob seu teto. Para entender como o dinheiro (e a inflação) funciona, ou pelo menos ter uma pequena ideia, assista um filme de 2011 chamado “O preço do amanhã” com título original “In Time” distribuído pela Fox. Você vai gostar, tem ação, romance, está cheio de atores e atrizes bonitas e é moderno sem precisar ser cheio de efeitos especiais. Sinopse (com adições):

No mundo de In Time, o tempo virou moeda. As pessoas param de envelhecer aos 25 anos e ganham mais um ano de vida (em forma de moeda para começar a fazer parte do sistema). Os ricos conseguem “ganhar” décadas de uma só vez, podendo até se tornar imortais. Os outros têm de pedir esmolas, pegar emprestado ou roubar mais horas para chegarem vivos até o final do dia, pois se o seu relógio chegar a zero, ela morre imediatamente. Ao ser falsamente acusado de ter roubado todo o “tempo” de um homem “rico”, o que teria provocado sua morte, Will Salas, morador da periferia, terá de provar a sua inocência e descobrir uma maneira de destruir o sistema.

Depois de assistir o filme acima, você poderá ler o livro ou assistir o filme chamado “Clube da Luta” com título original “Fight Club” também distribuído pela Fox, que por acaso também é um enorme conglomerado de comunicação controlado por bilionários americanos conservadores do partido republicado (isso diz muito sobre eles). Mas então por que eles deixam passar esses filmes na mídia? Porque dá muito dinheiro. E esse é o ponto fraco do Capitalismo: eles só veem o dinheiro, como já mencionou Michael Moore em seu documentário “Capitalismo, uma História de Amor” o qual também recomendo que você assista.

“Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes. Vejo todo esse potencial desperdiçado. A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis (as coisas que possuímos acabam nos possuindo). Somos uma geração sem peso na história. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Guerra Mundial. Nós não temos uma Grande Depressão. Nossa Guerra é a espiritual. Nossa Depressão, são nossas vidas. Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock. Mas não somos. Aos poucos tomamos consciência do fato. E estamos muito, muito putos. Você não é o seu emprego. Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. Nem o carro que dirige. Nem o que tem dentro da sua carteira. Nem a porra do uniforme que veste. Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção. Nós não somos especiais. Nós não somos uma beleza única. Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo.”

Discurso de Tyler Durden, personagem principal do filme Clube da Luta.

Gostaria de dar um conselho: Não pense que existe esquerda ou direita. Existe o dinheiro, e ele muda as pessoas. É por isso que até o comunista mais caxias se vende quando chega ao poder, pois até ele é um produto do sistema. Quem não se vende acaba sendo excluído da equação, por uma de muitas formas possíveis que o sistema tem de fazer isso. Não esqueça que entre os mais ricos estão aqueles que controlam a mídia, e isso quer dizer que eles controlam a opinião e o humor da maioria das pessoas, as mais influenciáveis e ingênuas – e o nome disso é alienação, outra arma dos poderosos. Então, antes de “escolher um lado” – não se cegue ao “outro lado” – estude as propostas, ideologias, histórico e tudo mais que puder sobre os dois lados, incluindo seus defensores e seus opositores, pois isso diz muito sobre aquela ideologia.  Não seja rebelde sem causa e nem reacionário sem conteúdo, pois só repetir o que sua roda de amigos fala, ou o que está escrito na veja, não faz de você um intelectual – muito pelo contrário. Faz você se tornar uma ovelha, mais um instrumento do sistema. Moldável, maleável e influenciável, como qualquer outra materia prima usada para o desenvolvimento industrial.

Se você leu isso tudo, provavelmente vai ver o aumento de preço dos seus consumíveis com outros olhos…

…Ou então você vai me perguntar: “Vais me dizer que o tiozinho que vende a Coca-Cola KS aumentou o preço porque ele faz parte de uma conspiração mundial para manter 99% da população pobre, inclusive ele mesmo?”

R: Sim, ele faz parte da ponta de uma reação em cadeia que começa quando aqueles caras que eu listei, que são donos daquelas empresas que eu listei, que vendem aqueles produtos que eu listei, aumentam o preço de tudo mais, fazendo com que o seu tiozinho tenha um custo de vida maior, e aí ele vai passar parte dessa conta para você – para nós, maiores pagadores de impostos do mundo:

  1. O governo tem dívidas internas e externas, com o mundo inteiro;
  2. O governo então cobra impostos diretamente de você (imposto de renda);
  3. O governo federal então cobra impostos das empresas (imposto de renda, importação, exportação etc.);
  4. O Governo estadual cobra impostos das vendas das empresas (ICMS);
  5. O Governo municipal cobra impostos dos serviços das empresas (ISS);
  6. Essas empresas repassam esses impostos para o valor dos produtos e serviços e produtos que você consome;
  7. No final, você paga todos os seus impostos e os das empresas, o lucro do fabricante, do distribuidor, do transportador, do vendedor…

Agora que você já sabe disso, ainda acha que adianta reclamar que é culpa de quem está no governo, se é PT, PSDB, PMDB ou outros P’s da vida? Os partidos e os políticos são só mais um problema com o qual temos que lhe dar, são mais um mecanismo do sistema, para nos dar a falsa impressão de que estamos em uma democracia – de que podemos escolher quem nos representa. E no final, eles acabam representando seus próprios interesses, os de seus partidos e os interesses de seus patrocinadores: aquelas grandes empresas e grandes homens mencionados antes.

Alguns acendem um pouco mais que a maioria, para dar a ilusão de que o mundo está cheio de oportunidades, enquanto as grandes famílias que dominarão o mundo por milênios estão rindo de nossas caras felizes porque nosso time de futebol ganhou ou porque tem carnaval todos os anos.

* Os textos em Azul foram retirados na Wikipédia; Os dados sobre as fortunas são de Junho de 2015; Os textos em Oliva são de outras fontes.

Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção

E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez

Nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem essa prisão

E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez

Nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter