Hoje foi aniversário da Aline, mãe da minha sobrinha Daniela. Teve uma pequena comemoração no apartamento e foi divertido ver o Apolo cumprimentando todos os convidados dela, os que já estavam lá e os que iam chegando. Dá muito orgulho de ver que ele é tão extrovertido e educado – pelo menos quando quer. Do meu ponto de vista é assim. Como será do ponto de vista dele e das outras pessoas?

É estranho pensar que as outras pessoas vêem o mundo da mesma forma que eu, com seus próprios olhos. Vejo todos a minha volta e sei que todos tem a mesma experiência com seus olhos, mas meu cérebro não consegue conceber isso. Imaginei como seria se cada um tivesse uma filmadora na cabeça, todas conectadas em rede e eu pudesse acessar todas elas ao mesmo tempo em um monitor na minha cabeça. Já imaginou ver como todas as pessoas enxergam o mundo ao mesmo tempo? Isso daria até uma boa cena de algum filme de antropologia.

O mais importante de pensar nisso, é ter a sensibilidade de que não são só os olhos – as janelas do mundo – que são parecidos nas pessoas. Assim que eu me magoo quando me distratam, todos os outros sentem o mesmo. Os sentimentos estão presentes em todas as pessoas, e as feridas causadas pelas imprudências alheias machucam, às vezes por anos ou até décadas.

Você já imaginou (assim como John Lennon) um mundo onde todos pudéssemos conversar uns com os outros, em casa, no elevador do prédio, no trabalho ou na rua, sem os medos de rejeição, de ser mal tratado ou ignorado? Sem preconceito, ouvir uma resposta, positiva ou negativa, mas com respeito e cuidado, mesmo que seu interlocutor esteja num dia daqueles?